A reabertura dos centros de atividades de tempos livres (ATL) para crianças até aos 12 anos, decidida pelo Governo, está a dividir médicos e pais devido aos eventuais riscos de contágio por Covid-19. Pelo contrário, os centros de dia vão ter de encerrar devido a esse mesmo risco.

Os ATL voltam, assim, a abrir depois de terem estado encerrados na semana passada com o novo confinamento. A secção regional do Centro da Ordem dos Médicos contesta esta medida, considerando que a abertura dos tempos livres irá agravar o risco de contágio junto dos mais novos.

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, assume ser contra a abertura dos ATL e também defende o encerramento das escolas.

“As escolas deveriam estar encerradas, já que muitos alunos podem ser portadores do vírus, transmiti-lo de uns para outros e, depois, transmitir aos encarregados de educação, familiares e pessoas com quem convivem”, argumenta.

O médico acrescenta que, com a abertura dos ATL, “alunos de turmas diferentes de escolas diferentes vão circular e agrupar-se mais e vão estar em contacto uns com os outros, potenciando ainda mais a disseminação do vírus”. Carlos Cortes não tem dúvidas de que a reabertura “é uma medida profundamente errada”.

Já o presidente da direção da Federação Regional das Associações de Pais concorda com a reabertura dos ATL. Rui Silva diz que os centros de tempos livros não são fontes de contágio.

“A medida é extremamente positiva, porque há pais que têm a necessidade de trabalho presencial e não podem ficar em casa. Há dados que demonstram que os ATL não são centro de contágio e que, desde que estejam cumpridas todas as regras, os ATL têm todo o terreno para poderem operar”, afirma.

 

Instituições aplaudem fecho dos centros de dia

Por sua vez, ao contrário dos ATL, os centros de dia vão ter de fechar, segundo decretou o Governo. Ainda assim, a decisão é elogiada pelos dirigentes das instituições sociais.

O presidente da União Distrital de Viseu das Instituições Particulares de Solidariedade Social, José Costa, fala de uma “medida ajustada” e recorda que os utentes podiam ter risco de contágio e transmissão do vírus.

“Os centros de dia têm uma situação muito complicada, porque os utentes vão diariamente para casa e estar em contacto com pessoas do exterior, familiares e outras pessoas e podem tanto serem infetados como levando o vírus para o interior dos centros do dia”, reafirma.

O dirigente lembra também que muitos centros de dia costumam funcionar junto com outras valências das instituições. “Os recursos humanos são os mesmos, sendo que os centros de dia acabam por infetar também os lares”, frisa José Costa.

Também o presidente do secretariado de Viseu da União das Misericórdias, José Tomás, aceita esta medida e diz que o encerramento dos centros de dia deve ser encarado como uma medida preventiva face ao aumento dos casos Covid.

“A medida é adequada e sensata face à situação que estamos a viver, na medida em que os utentes recolhem à noite ao seu agregado familiar e sendo os centros de dia sítios onde os utentes permanecem durante o dia e, no caso de haver algum foco ou doença, ela tem probabilidade de se entender aos outros utentes. É uma medida que elimina potenciais novos casos”, refere o também provedor da Misericórdia de Mangualde.