Ibuprofeno agrava infeção da covid-19? "Não existe evidência", diz a DGS

A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, disse que o ibuprofeno não agrava a infeção pelo coronavírus e adiantou que a Agência Europeia do Medicamento vai fazer desmentido

Este sábado o ministro francês da saúde Olivier Vérain, ele próprio médico, publicou uma mensagem no Twitter com um alerta: "Tomar anti-inflamatórios (ibuprofeno, cortisona,...) poderá ser um fator de agravamento da infeção [pelo novo coronavírus]. Em caso de febre, tomem paracetamol".

Este sábado o ministro francês da saúde Olivier Vérain, ele próprio médico, publicou uma mensagem no Twitter com um alerta: "Tomar anti-inflamatórios (ibuprofeno, cortisona,...) poderá ser um fator de agravamento da infeção [pelo novo coronavírus]. Em caso de febre, tomem paracetamol".

Esta tarde a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, referiu a propósito, em conferência de imprensa, que Agência Europeia do Medicamento vai fazer um desmentido. "Estivemos agora reunidos com o presidente do Infarmefd e vai ser feito um desmentido formal a nível europeu, inclusive. Porque, de facto, nem do Brufen nem de quaisquer outros medicamentos existe qualquer prova ou evidência que potenciem a ação do vírus", assegurou Graça Freitas.

"Vai ser feito amanhã (segunda-feira), provavelmente, um desmentido pelo Infarmed a nível nacional e por outras instituições de nível europeu para acabar com este alarme que é um falso alarme, não tem nenhum fundamento", insistiu.

E a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários já tinha, entretanto, feito um comunicado, afirmando que "não existe nenhum dado que que indique que o ibuprofeno agrave as infeções por covid-19"

O artigo da Lancet, da autoria de investigadores das universidades de Basileia, na Suíça, e de Tessalonica, na Grécia, com o título em forma de pergunta ("Are patients with hypertension and diabetes mellitus at incresed risk foi covid-19 infection?") é um estudo de caso preliminar que levanta a hipótese de o ibuprofeno agravar a infeção pelo SARS-cov-2 dada a sua possível estimulação dos recetores a que se liga nas células humanas para as infectar.

Para Filipe Froes, médico pneumologista, coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos e membro da task force da Direção-Geral da Saúde para a infeção pelo novo coronavírus, "não existe evidência de que o ibuprofeno faça mal, e portanto devem ser seguidas as indicações das autoridades de saúde".

O especialista considera que "o caso assumiu uma grande dimensão porque a informação foi publicada na revista médica Lancet, que é muito prestigiada". Mas, sublinha, o artigo relata "um caso de estudo preliminar", que não esclarece várias questões.

A dimensão que o caso acabou por ter, sublinha, mostra que o facto de "não estar a ser feito o processo de revisão por pares antes da publicação de dados sobre o Sars-cov-2, pela necessidade urgente de divulgação de novos conhecimentos sobre este novo vírus, pode criar situações destas de alarme social, o que na sua opinião "ressalva a importância de toda a informação científica ser devidamente contextualizada".

O especialista não tem dúvidas: a comunidade científica não deixará de debruçar-se sobre aqueles dados para estudar a questão até exaustão.